♫ Björk, Fluke - Big Time Sensuality - The Fluke Minimix

Björk Big Time Sensuality (Remixes) Single Cover

Album: Big Time Sensuality (Remixes).

Ano: 1993.

Adabriand Furtado

Adabriand Furtado

1993 foi o ano em que duas rotas muito diferentes desembocaram na mesma pista. De um lado, Björk: recém-saída dos Sugarcubes, a islandesa havia se mudado para Londres e lançado Debut, o disco em que trocou o rock alternativo pela vertigem da música de clube ao lado do produtor Nellee Hooper. Do outro, o Fluke: um trio inglês de Beaconsfield que rodava o underground eletrônico desde o fim dos anos 80 e vivia ali seu próprio ano de virada, emplacando o clássico de pista "Slid", adotado pelo DJ Sasha, e o álbum Six Wheels on My Wagon (1993). Não era uma banda qualquer de aluguel: o Fluke se tornaria o remixador chamado por New Order, Talk Talk e até Rolling Stones, e sua música ainda invadiria as trilhas de Matrix Reloaded e dos games Wipeout e Need for Speed. Quando a gravadora juntou os dois mundos no quarto single de Debut, ninguém imaginava que o encontro renderia algo maior que um lado B de colecionador.

Rendeu, e aqui mora a pegadinha deliciosa da história: a "Big Time Sensuality" que o mundo conhece talvez nem seja a original. A versão que embala o clipe icônico de Stéphane Sednaoui, aquele em preto e branco com Björk dançando em êxtase na carroceria de um caminhão pela Nova York de 1993, é justamente o Fluke Minimix. Foi com essa roupagem que a faixa dominou a MTV e ajudou a dar à islandesa sua primeira entrada nas paradas americanas. E dá para entender o porquê: o trio desmonta o house elegante de Hooper e reconstrói tudo sobre camadas de sintetizadores, baixo eletrônico e um banho de reverb, desacelerando os vocais até a canção ganhar outra gravidade, com Björk encerrando num sussurro sobre a coragem de aproveitar o pesado e o suave da tal sensualidade. A ironia fina é que a letra nem é sobre sexo: ela celebra a faísca criativa entre a cantora e o produtor. Até o humor da dupla de remixadores completa o quadro, com versões batizadas de Minimix, Moulimix e Magimix, trocadilhos com processadores de cozinha, como quem admite que remixar é passar a música no liquidificador. Três décadas depois, segue sendo o raro caso em que o remix não acompanha a canção: ele a define. O tempo cuidou de embaralhar as coisas: para a maior parte do mundo, o remix do Fluke simplesmente é "Big Time Sensuality".

Adabriand Furtado

Sobre Adabriand Furtado

Paraibano, campinense (❤️), graduado em Ciência da Computação pela UFCG. Antes, tocava em festas indies/alternativas como DJ Byra, então esperem muitos posts de Indie Pops de bandas dos anos 2010, além de eletrônicos como Synth-pop, Indietronica, House e Remixes. Também sou desenvolvedor do Omnimusic, então se encontrar algum bug ou tiver feedback/sugestão, deixe uma mensagem. 😊

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